Desabafo do Poeta

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Empacota o alimento pra depois fazer descarte
Eu não sou embalagem pra tu querer vir me rotular
Cérebros sofrem lavagem a todo tempo, esse é o custo
Mas a sujeira do mundo Omo não pode lavar

É que sujar faz bem
É que sujar faz bem

Trancado em casa em frente ao espelho penso na dona de casa
Desempregada, desastre da quarentena
Meia dúzia mais dois zero ainda não vão tá na conta
Pra filha do burguês gastar tudo com maquiagem, é sacanagem, é sacanagem

E o farda de cinza safada que mata seguindo salmos
Se a cela tá lotada, vamo' lotar os 7 palmos
Mas meu povo se cansou de pedir pelo amor de Deus
Mate todos eles antes que matem alguns dos meus

Enquanto os meus heróis morrem tentando achar a cura
Os seus fabricam doença e ainda praticam tortura
Nas ruas das cidades mascaras são EPI
Mas aqui envolta tô vendo varias cair

O amigo assediador que o mano vai passar pano
Cuidado pra não se expor que hoje o sol tá queimando
O karma sempre volta pra quem desacreditou
Não tema a colheita daquilo que cê plantou

Libertai amor, libertai amor
Libertai amor, libertai amor
Paz, justiça e respeito a todos os morador
Liberai amor, liberai amor
Liberai amor, liberai amor
Paz justiça e respeito a todos os morador

Concentração de papo reto se mostra aqui no QI
Mas se afetar o senhor de engenho ele não vai tá nem ai
A chuva cai lá fora e a troia a gente viu
Geração "Pray for Italia" mas nunca "Pray for Brasil"
Não me cabe julgar, só me cabe dizer
No dia do julgamento o justo vai prevalecer porquê
Desde pequeno vendo que a vida não é tão justa
Será que com meus versos ela consegue se ajustar?
Rapá', só não diga que não tentei
Cada fio de cabelo branco foi uma vez que falhei
Vinte e um grisalho, pinto cabelo igual o sete
Fazendo meu irmão cético ter fé mesmo que eu já não tenha
Tanta esperança na espécie de homo sapiens
Que planta todo mal e colhe bem mais que a raiz
Visando lucro pra metrópole a aquarela não colore
O que é verde, vira cinza, quebra árvore e faz prédio
Destruir a própria terra é bem mais que sacrilégio, tio
Tava engasgado, agora é por pra fora
Regurgitando rima pra ver se vocês acordam
Pandemia, epicentro que não dá pra aguentar
Trabalhar pra não morrer, morrendo de trabalhar
Libertai paz